Estranha a Ilha.

Envolta em leves tecidos tão brancos como a areia, Irene ergue-se com o romper da aurora. É assim desde que se mudou. O chilreio do despertar das aves pela corrida ao alimento, é o despertador.

É governanta da mansão de um casal que, só de vez em quando, chega com o veleiro e uns tantos amigos que nadam, comem, bebem, deixam garrafas na areia e copos pelo chão e partem de seguida, como se fosse muito divertido ser assim.
Não os detesta, não sabe o que isso é. Ignora-os e limpa o estardalhaço que lhes fica para trás e, disso vive.
Todo o tempo que sobra passa-o a estudar as aves e a ler ou a brincar com a criança que não lhe sai de perto.
- És lindo!
Acaricia o rosto do menino que dorme e desce à praia. Ele sabe-lhe o rasto, se acordar.
Pensa em André. Pensa todos os dias, mas mais quando chegam as aves, como agora.
- Ele seria certo se soubesse respeitar "um golpe de asa".
Mas como dizer-lhe que não podia amá-lo por sabê-lo capaz de matar, se para ele matar é matar gente apenas?
Um dia, uma noite? Subi a escada e eu própria voei sem som de penas.

A Liberdade é lá em cima, atravessado o escuro verdadeiro.
(segue)
4 Comments:
Voei nas tuas palavras e saio querendo ficar.
Beijo
D.
aqui está ficando muito interessante...
beijos
della
Olá depois de ler uns tantos
bem estou gostando
fico no intervalo
muito gostas de intervalos
beijos
gostosobremaneiradesteritmoauspiciosocriadoatravésdeumsignoqueédesenroladoaosabordanarrativa.aliberdadeconsentidanumafelizescolhaeescrita.amanhãcáestareidenovoedepoiseaindadepois
beijinhos
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